CURSO DE DETETIVE TRANSFORMA CIDADÃOS
COMUNS EM EXÍMIOS ARAPONGAS
Maridos e mulheres que traem, cuidado com
o barbeiro. Edimar Estevam da Silva, de 41 anos. Seu sonho de infância,
no entanto, sempre foi ser investigador. Ano passado conseguiu
realizá-lo. Passou três meses fazendo um curso de detetive particular.
Já está solucionando seu 13º caso. “A grande maioria é de infidelidade
conjugal”, revela. Por R$ 280,00, Estevam ganhou diploma (reconhecido
como “curso livre” pelo Ministério da Educação) e carteira de
investigador, profissão que é regulamentada pela Lei 3099/57. Desde
então, sua vida evoluiu em emoção e aventura. Para descobrir se o filho
de uma cliente usava drogas, se disfarçou de aluno, freqüentou aulas
noturnas e se tornou “amigo” do garoto. “Poxa, você sabe onde encontro
bagulho para fumar?”, disparou para o ingênuo rapaz, que revelou suas
fontes ao mesmo tempo em que a conversa era gravada.
Para não perder um passo dos objetos de
investigação, Estevam teve que acordar às quatro da manhã duas vezes na
semana passada. São as campanas, ou seja, ficar na moita, a espera do
infeliz que vai fazer coisa errada. E segui-lo. Já foi parar até dentro
de motel. Entrou com uma “amiga”, “para disfarçar, levantou o toldo onde
o casal pecava e fotografou o carro. Saiu para fora, pagou pelo quarto
que não usou e novamente ficou a espreitar, a fim de que o casal
tivesse, provavelmente, seus últimos momentos de diversão em segredo.
Usar disfarces é comum na profissão, mas Edilmar Lima, fundador da
Central Única Federal dos Detetives do Brasil, afasta este – reótipos.
“Tem gente que acha que o detetive é aquele cara de bigode postiço, capa
esquisita e óculos Ray Ban”, comenta ele, há 11 anos exercendo a função.
A Central oferece curso para quem deseja ser arapongas. Consiste,
basicamente, em estudar um calhamaço que ensina técnicas
investigatórias, fazer campanas, gravações na surdina, noções de
direito, de defesa pessoal e por aí vai. Entre 30 e 90 dias, o aluno faz
a prova. Caso acerte 80% das questões está pronto. Ou quase. Falta a
prática, que acontece em estágios supervisionados por Lima.
Certa vez, o detetive levou um aluno para
acompanhar uma investigação na cidade de Palmital, São Paulo. A missão,
encomendada pela mulher de um magnata: levantar a ficha de bens do
sujeito. Lima provocou o rapazote: “Qual a sensação de participar de uma
missão comigo?” O novato não se impressionou com a magnitude do araponga
veterano: “Vai ser moleza.” O jovem detetive acabou, no entanto,
quebrando a cara. Literalmente. Foi espancado por simpatizantes do
magnata, que descobriu as intenções da dupla. Lima atende todo tipo de
caso: assaltos, ameaças, simulações de acidentes com intuito de retirada
de seguros milionários, contra-espionagem industrial, etc. sua maior
fonte de renda são mesmo cônjuges traídos. “Dá 80% dos casos”, revela
ele, que vai além: “a maioria da clientela é mulher.”
Vera Verão
Alguns casos são escabrosos. Como o marido
que parou de procura sua mulher na intimidade. Foram seis meses de seca.
Apesar de não serem casados no civil, o sujeito queria metade dos bens
da esposa rica. Lima investigou, fotografou e filmou as ações do infiel.
A mulher chegou então ao escritório do detetive para escutar as
gravações telefônicas do companheiro adúltero. Não pôde evitar as
lágrimas quando ouviu o apelido intimo pelo qual era chamado o sujeito,
um morenão de um metro e noventa: Vera Verão. Não era traída com outra
mulher, mas com um homem. Apesar de traumática, a descoberta – com
provas – serviu para chantagear Vera Verão, que não levou um tostão do
casamento. O detetive atende uma clientela classe A. Também pudera, o
serviço custa caro. Uma diária não sai por menos de R$ 300,00 o que não
raro acaba ocasionando serviços de R$ 10 mil, R$ 20 mil. Para ser
preciso, Lima se vale de uma série de equipamentos: Lupas, binóculos,
microcâmeras, microgravadores e máquinas fotográficas.
Este mundo sorrateiro das investigações
atraiu a técnica em contabilidade Patrícia Orton, de 21 anos, que
concluiu o curso, mas aguarda ansiosamente seu primeiro caso. Aliás, com
sagacidade, a jovem fez sua primeira investigação aos doze anos.
Desvendou um adultério que acontecia dentro da própria família. Seguiu a
mulher infiel, revelou a traição ao marido traído, que desfez o
casamento. “É triste depositar confiança em alguém que não mereça”, diz
ela, que em breve estará pronta para novas ruínas de matrimônios. Além
de considerar a profissão “excitante”, Patrícia vê outros motivos para
abraçar a carreira de detetive. “Você pode ganhar, em um dia, o que um
assalariado leva um mês para receber”, compara.
SERVIÇO Central Única Federal dos
Detetives do Brasil: 3382 4508 Internet:
http://www.centralunica.com.br