O ganha-pão dos detetives

Casos de desconfiança entre marido e mulher
representam 70% do mercado de investigação.

Há poucos dias, o pagodeiro Vavá e a noiva, Mari Alexandre, anunciaram que não estavam mais juntos. Colocaram no excesso de trabalho a culpa pela surpreendente separação. Pessoas ligadas ao casal, porém, dizem que não é exatamente isso o que teria levado ao fim o badalado relacionamento. Desconfiado, ele teria contratado um detetive particular para investigar os passos da loira.

Sobre o que o araponga teria dito e mostrado a Vavá – que não mais adora amar Mari Alexandre – pouco se sabe e muito se especula. O fato, entretanto, é que casos como o do ilustre casal são o ganha-pão dos investigadores particulares. O detetive Edilmar Lima,  da Central Única Federal dos Detetives do Brasil, diz que 70% dos clientes o procuram porque desconfiam do parceiro. Outros investigadores particulares apontam números semelhantes.

"Os casos conjugais são o produto que mantém o mercado. É a grande escala, o grosso do trabalho", afirma o investigador Lima. De uma maneira geral, dizem os profissionais, as pessoas já sabem que estão sendo traídas quando solicitam o trabalho de um detetive particular. Para conseguir, via detetive, a prova de um adultério, paga-se um preço elevado. Os investigadores cobram entre R$ 150 e R$ 300 a diária.

 "Essas pessoas só querem ter a comprovação final para poder jogar na cara do parceiro adúltero e pedir a separação", diz o detetive João Amaral.  Com quase 30 anos de profissão, ele coleciona algumas centenas de casos de adultério no currículo. Na última semana, o escritório dele investigava um caso curioso. A mulher de um empresário desconfiava que o marido a estava traindo com outra mulher. Montado em uma motocicleta, munido de uma filmadora e uma câmera fotográfica, um detetive chefiado por Amaral passou alguns dias seguindo o suposto marido adúltero.

As investigações chegaram à conclusão de que a mulher estava com a razão, mas revelaram ainda um outro detalhe – o empresário a traía com outro homem. Além dos casos conjugais, é comum pais pedirem que os filhos sejam seguidos. "Alguns querem ver se ele usa drogas; outros, se é homossexual", diz o detetive Lima.  Como as informações podem às vezes chocar, explica, tudo tem de estar bem documentado. "Trabalhamos baseados em fotos e fatos. Se temos apenas desconfianças, às vezes é melhor omitir certos detalhes do que apresentar suposições ao cliente", afirma Amaral.

O detetive Mario Delpratto, que atua na região do Vale do Paraíba (interior paulista), diz que já investigou a traição até na Internet. Certa feita, um marido pediu-lhe que apurasse o que a mulher tanto conversava nas salas de bate-papo. Descobriu que, além de e-mails obscenos, ela trocava fotos sensuais com outros homens. Deu separação.

Profissão não tem o glamour do cinema  

Engana-se quem pensa que a profissão de detetive tem o glamour dos filmes de espionagem, como Missão Impossível, e os clássicos de James Bond, o agente 007.  A profissão não é regulamentada pelo governo, mas pode ser exercida como prestação de serviços. "Para a maior parte dos que estão no mercado, a vida é difícil", diz o detetive Edilmar Lima, que é baseado em Brasília.  Muitos começam a carreira oferecendo os serviços a amigos, resolvendo questões conjugais ou procurando pessoas que lhes devem dinheiro. O valor da diária varia de R$ 150 a R$ 300, dependendo do detetive e do serviço.

Lei não proíbe fotos nem perseguições  

Luis Flavio Borges Dirso, presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas, alerta que os detetives particulares devem tomar cuidado com os métodos que utilizam para obter informações. "Nada na lei impede que um detetive persiga, tire fotos ou filme uma outra pessoa, desde que nada seja publicado", afirma.  Mas gravar conversas telefônicas da mulher com o amante, sem que eles saibam, é crime, mesmo que com o consentimento do marido.  Outros procedimentos, como investigar contas em banco do marido (quebra de sigilo bancário), também são ilegais.

 
 
 
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