As big sisters

Por Flávia Ribas

De olho em todos e em tudo, mulheres descobrem o mercado da investigação particular

Foto: Josemar gonçalves

Elas não usam sobretudo nem fumam cachimbo como Sherlock Holmes. A lupa foi substituída por microcâmeras, gravadores e máquinas fotográficas. O tradicional cenário de filmes e livros policiais, em que apenas homens eram detetives, foi substituído por histórias que se parecem mais com a de Miss Marple dos livros de Agatha Christie.

A trama, porém, é menos fantástica e envolve mais casos de traição do que crimes indecifráveis. "Não dá para confundir o nosso trabalho com o que se vê nos filmes", diz Ana Martha, detetive há 10 anos. Sua identidade, como a de maioria dos detetives, é disfarçada por um codinome. No Brasil, ainda são poucas as investigadoras particulares. Dos 60 mil detetives profissionais no País, apenas 8% são mulheres, estima a Central Única Federal dos Detetives do Brasil (CUFDB). Mas aos poucos, elas estão ganhando espaço na profissão. Ana Martha acredita que 40% dos detetives no DF são do sexo feminino.

Ser mulher facilita, de muitas maneiras, o trabalho de investigação. "A mulher tem mais jogo de cintura para se infiltrar em empresas, espiar em restaurantes, ou se enturmar com funcionários de alto escalão, que representam grande parte dos nossos clientes", explica Juliana Belém, sócia da CUFDB.

A sensibilidade feminina também é uma vantagem nos casos de infidelidade conjugal – que representam mais de 70% dos serviços prestados por detetives particulares. Elas têm que controlar o ciúme dos clientes, evitar tragédias familiares e lidar com as decepções dos que descobrem estar sendo traídos.

Muitas vezes, o detetive faz o papel de psicólogo ou terapeuta familiar. "A infidelidade conjugal não envolve apenas o triângulo amoroso. Há famílias e filhos envolvidos", lembra Juliana. As investigadoras contam histórias em que os clientes se tornaram amigos. "Mesmo depois do fim da investigação, eles ligam, dão notícias", conta.

Depois de 15 dias de investigação sem nenhuma prova de adultério, Ana Martha teve uma "conversa séria" com uma cliente, dando-lhe conselhos para melhorar a relação. Pouco tempo depois, a cliente a procurou para dizer que o casamento estava bem, que o marido trabalhava menos e ela estava mais tranqüila. As duas são amigas até hoje. Segundo Ana Martha, a maioria dos seus clientes não se separa. "A dúvida atrapalha muito mais o relacionamento do que a própria traição. Depois das provas na mão, o casal conversa e acaba se resolvendo", diz. Mas nem todos os casos acabam bem. A investigadora Sandra e seu sócio Hudini, ambos com nomes falsos, contam que a suspeita do adultério é confirmada, muitas vezes, com parceiros do mesmo sexo. "A maioria dos clientes prefere não saber se o seu marido ou esposa é homossexual", diz Sandra, para quem homens e mulheres traem em proporções iguais. "Não há uma diferença significativa entre os dois sexos", acredita. Há ainda os casos em que o traído pede para dar flagrante no adúltero. Os detetives avisam e saem de cena. Dependendo do caso, a polícia é avisada, para evitar que o barraco acabe em uma desgraça.

Serviço: Juliana Belém Central Única Federal dos Detetives do Brasil (CUFDB), Telefone: (61) 3382 4508 Site: www.centralunica.com.br
 

 
 
 
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