Infidelidade virtual
Segundo detetives, internet é a principal “destruidora de lares” da atualidade
Por João Marinho
Você é casado, leitor? Tem namorad@? Já pulou a cerca? Grosso modo, ao assumirem
uma relação estável, as pessoas entendem que o tipo de acordo será o mesmo que
nossos pais ensinaram: fidelidade estrita, um casamento “de papel passado” no
futuro e, se possível, filhos para encher a casa.
Entretanto, agora que você cresceu, já deve ter percebido que nem sempre as
coisas são assim. Nem para nós, nem para nossos pais. Muitos casados traem, o
que não necessariamente quer dizer que não se gostem.
Nós, que trabalhos em uma revista erótica, sabemos que, do ponto de vista do
leitor, é muitas vezes difícil resistir a uma bela mulher, além de que o ser
humano é fértil em criar fantasias e fetiches, nem sempre “executáveis” em casa.
Por outro lado, muitas vezes a traição é apenas pura sacanagem ou mesmo um sinal
de que a relação acabou e ninguém percebeu.
Soma-se a isso o surgimento de uma variedade imensa de “relacionamentos
modernos”: gente que faz swing ou ménage, participa de orgias, sai com outras
pessoas... Tudo consensualmente. Não nos cabe, portanto, julgar o mérito da
questão. Entretanto, uma coisa é certa: muito disso que está aí tem uma forte
relação com a internet.
SEXO NA REDE
Essa conclusão, a que muitos chegam por lógica, é confirmada por Edilmar Lima,
29 anos: “Para quem não tem internet, a coisa ‘tá feia’ [...] A maioria das
pessoas que flagramos têm internet”.
Edilmar é detetive particular há 11 anos e sócio da Central Única Federal dos
Detetives do Brasil, em Brasília-DF. A Central atende todo o país e distribui
serviços de investigação conjugal, política, criminal e empresarial para
profissionais em diversas localidades. A infidelidade no casal, entretanto,
responde por cerca de 70% de todo o trabalho feito.
Lima chama a atenção para a presença de casados nas salas de bate-papo. “Às
vezes entro profissionalmente, para entrevistar pessoas mesmo. Outro dia, entrei
como mulher e teclei com alguns. Eram todos casados”, conta.
A investigação de quem usa a internet para trair começa muitas vezes pelo
computador. “A gente dá uma olhada no conteúdo do computador, procura a pessoa
nos chats, verifica a existência de e-mails gratuitos escondidos. Com o número
do IP [Nota do redator: Internet Protocol, uma espécie de endereço numérico que
seu micro assume na Web, ao ser conectado], fica mais fácil levantar
informações”.
A facilidade de encontrar parceiro é o principal atrativo da Web. “Hoje em dia,
não é mais preciso sair [...] pra encontrar outra pessoa, se houver vontade”,
diz Juliana Belém, 25 anos, sócia de Lima e detetive há sete anos.
Além disso, segundo ela, os casos surgidos online são mais difíceis de pegar,
ainda que mais freqüentes. “A pessoa é geralmente desconhecida do casal, mas
eles passam bastante tempo se conhecendo pela internet, falam por fone,
comunicam-se por e-mail, Messenger e ICQ antes [...] Quando se encontram, mantêm
muito cuidado. Hoje, por exemplo, tenho percebido que, em vez de irem para o
motel, eles vão para um hotel. Fica mais difícil caracterizar a traição”.
Ademais, quem adere ao esquema “rotativo” complica ainda mais a investigação.
PODER FEMININO
A mulher é hoje a principal cliente da Central de Detetives, invertendo a
tendência existente há três anos, com os homens como maioria. “O valor do
serviço não é tão barato, e hoje a mulher já tem um certo destaque na economia.
Algumas vezes, até ganha mais que o marido [...] Então, ela tem o poder para
pagar o serviço”, explica Juliana.
A mulher é também mais vingativa. “O homem não tem o sangue frio para esperar o
que vai acontecer. Na menor desconfiança, já vem falar conosco. A mulher, quando
nos procura, já sabe o endereço da amante, há quantos dias o marido está com
ela, os horários em que se encontram...”.
Uma vez confirmada a infidelidade, o resultado costuma ser a separação, para
ambos os sexos. No geral, entretanto, novamente a mulher aparece como mais fria.
“A mulher já quer partir logo para a separação. Já alguns homens fazem de conta
que não sabem de nada, são mais flexíveis”, diz Lima. Juliana parece discordar.
“A mulher é mais vingativa, mas o homem não aceita ser traído nem pela amante”.
MUY AMIGOS...
Certo. A internet é a principal causa da infidelidade, mas e quando não é
possível contar com ela? “Quando comecei, havia pouquíssimos serviços vindos da
internet”, conta Juliana, “sem internet e quando a pessoa trabalha e passa muito
tempo no serviço, ela geralmente tem amante no trabalho. Isso ocorre em 80% dos
casos, especialmente entre casais casados.
Entre namorados, também ocorre muito de haver alguém que a pessoa conheceu em
festas, bares, na rua. Quando a pessoa não é casada e tem amante, não há uma
preocupação tão grande em não manter contato em público”.
Em geral, a traição “off-line” acontece com pessoas conhecidas. “Noventa por
cento [...] é de pessoas que conhecem a família”, diz Lima. Tanto nesses casos
quanto nos da internet, as provas são incontestáveis: fotos, filmagens,
relatórios, dados, horários de encontro, etc.
OUTROS SABORES
De 15 a 20% das traições empreendidas por mulheres ocorrem com outras mulheres e
de 5 a 10% das traições masculinas ocorrem com outros homens, diz Juliana.
“Homens traindo com homens é mais difícil de acontecer, mas mais fácil de
caracterizar”.
Isso, claro, entre os casais heterossexuais, pois o público homossexual também
recorre aos serviços da Central. As lésbicas os procuram com mais freqüência,
mas os gays são mais rígidos quando descobrem a traição. No total, em comparação
com os casais héteros, os homossexuais tendem mais a se separar.
PROVA DE AMOR?
Quando a traição, porém, não é comprovada? “Alguns casais encaram como uma forma
de amor”, diz Lima. “Outros ficam putos, mas acabam ficando juntos”. E você,
leitor, o que faria se fosse investigado? Haveria algo a ser descoberto?
Cuidado, um detetive pode estar à espreita...
Frases:
“Acho que para a mulher trair, ela precisa de um bom motivo. O homem só precisa
de um lugar”
Juliana Belém, 25 anos, detetive
“Quem tem ‘amantes rotativos’ é mais difícil de ser descoberto”
Edilmar Lima, 29 anos, detetive
Para saber mais:
www.centralunica.com.br site
da Central dos Detetives
www.edilmarlima.com.br site
pessoal de Edilmar Lima
No Brasil...
· 25% das mulheres admitiram já ter traído
· 50% dos homens já pularam a cerca
· apenas 25% dos casados esperam fidelidade
Fonte: Projeto Sexualidade/Universidade de São Paulo
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Adaptado do original publicado na revista Sexfilmes VCD no. 4