Traição é principal alvo de detetives particulares

Sábado, 19 de março de 2005, Redação Terra.

 

Divulgação

Detetive Edilmar Lima, um especialista em investigação de infidelidade

Máquinas fotográficas, binóculos-câmera, filmadoras e transmissores de imagem: equipamentos sofisticadíssimos têm sido usados cada vez mais para acabar com as desconfianças de uma possível traição ou, então, para confirmá-las. Em busca de flagrantes de infidelidade, mulheres desconfiadas e maridos inseguros contratam, para investigar o parceiro, detetives que recorrem a técnicas bizarras e se deparam com as situações mais inusitadas.

Pais aflitos em busca de notícias sobre os filhos, buscas sobre o paradeiro de desaparecidos, fraudes em empresas e informações de possíveis candidatos a uma grande empresa também figuram entre os diversos trabalhos realizados pelos "Sherlock Holmes" brasileiros, mas a principal tarefa dos detetives ainda é investigar casos extraconjugais. A Central Única Federal dos Detetives do Brasil (CUFDB), com sede em Brasília, estima que entre 60% e 70% das investigações realizadas pela empresa envolvem traição.

A procura por este tipo de serviço cresceria em datas especiais. De acordo com o diretor da CUFDB, Edilmar Lima, 11 anos de profissão, a busca por detetives aumenta durante as festas de final de ano e nas semanas anterior e posterior ao Dia dos Namorados. Lima afirma que nestas ocasiões um elemento a mais ajuda na investigação: a compra do presente para os namorados e para os amantes.

Sobre as acusações de que os detetives teriam a função de acabar com uma relação, Lima defende a categoria. "Não destruímos um relacionamento; apenas colocamos um ponto final", destaca.

Tranqüilidade e paciência também são fundamentais para a profissão, acredita Lima. Ele, que também dá aulas na CUFDB para futuros detetives, afirma perceber em alguns candidatos à profissão uma certa "agonia", o que não combina com o dia-a-dia da investigação. "A gente nasce detetive", afirma Lima. De acordo com ele, todo mundo seria um investigador em potencial, mas nem todos desenvolvem essa característica.

Investigador ou psicólogo?

Autor do livro Crônicas de um Detetive, sobre traição, e Sobre Amores e Paixões, Lima arrisca algumas teses sobre a traição. "A mulher para trair precisa de motivos; já o homem, somente de oportunidades", declara. Uma nova obra será lançada ainda este ano, O Beijo e a Explosão da Química Humana, que tratará sobre os efeitos da traição nos adolescentes. Segundo Lima, os menores de 14 a 17 anos seriam os que mais sofrem com as relações extraconjugais dos pais.

O detetive defende um acompanhamento psicológico das mulheres durante uma investigação de traição. "No começo eu era frio. Eu dava o resultado final da investigação e pronto. Hoje eu sei que temos que dar um suporte. 90% das clientes precisam de um apoio psicológico", acredita.

Lima se autoproclama um defensor da família e diz que "é do homem trair". "Eu condeno o cara que tem uma amante, mas entendo os que transam com prostitutas", declara.

Em parte, o psiquiatra Marca Filho concorda com o detetive. "Há uma teoria que afirma que o homem teria um instinto reprodutivo, por isso sairia transando com todas; já a mulher faria uma seleção, em busca do progenitor ideal", explica. Entretanto, continua o psiquiatra, "com a evolução das mulheres, que se tornaram mais ativas, principalmente no mercado de trabalho, elas tendem a ser mais sexualizadas e acabam tendo um comportamento semelhante ao dos homens".

Marca Filho enfatiza, entretanto, que o importante não é a descoberta feita pelo detetive no final da investigação, mas o motivo de se procurar o profissional. "É fundamental entender isso para estabelecer uma convivência melhor, onde o vínculo se estabeleça por confiança e companheirismo e não seja necessário colocar uma terceira pessoa na relação, no caso, um detetive."

Redação Terra
Por: Rafael Balsemão

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