Drogas levam pais a investigar filhos
Preocupados com o envolvimento dos filhos com drogas, pais de classe média têm
recorrido cada vez mais aos serviços de detetives particulares. Dados da Central
Única Federal dos Detetives do Brasil mostram que no DF as agências particulares
investigam, em média, três jovens por mês, a pedido de famílias dispostas a
desembolsar até R$ 8 mil para investigar a vida dos filhos.
Segundo a polícia, a preocupação dos pais não é em vão. As estatísticas
comprovam o crescimento das ocorrências envolvendo drogas e jovens. De acordo
com dados da Delegacia da Criança e do Adolescente, até julho deste ano 153
menores foram detidos por porte de drogas. Em todo o ano passado, foram 311 e em
2001, 273 registros.
Munidos de relatórios e horas de gravação em vídeo, os detetives participam dos
dramas familiares. Da tensão quando a suspeita se confirma ao alívio quando tudo
não passou de desconfiança. Os profissionais demoram, em média, cerca de 20 dias
para juntar as informações necessárias. Mas garantem: há adolescentes tão
discretos que exigem mais tempo de apuração, alongando a missão dos detetives
para até três meses.
A investigadora particular Juliana Belém, que comanda o escritório regional da
Central Única Federal dos Detetives do Brasil, conta que sua agência elabora até
cinco orçamentos por semana para pais desconfiados. "Os pais, habitualmente,
desconhecem as atitudes dos usuários de drogas e não conseguem perceber o
envolvimento dos filhos com entorpecentes", explica.
A medida pode surtir efeito até preventivamente. Os pais de André (nome
fictício) chegaram a contratar um detetive para investigá-lo. Mas o rapaz
desconfiou da atitude dos pais e resolveu revelar-se usuário de drogas, antes
que o investigador entregasse o dossiê.
Fonte: Jornal de Brasília