Domingo, 19 de Junho de 2005
Cuidado ao escolher o detetive
O segredo continua sendo a alma do negócio para
alcançar o sucesso nesse trabalho. Porém, engana-se quem pensa que a profissão
de detetive particular tem o glamour dos filmes de espionagem, como Missão
Impossível, e os clássicos de James Bond, o agente 007. O ofício não é
regulamentado, mas pode ser exercido como prestação de serviços. Muitos
começam oferecendo seus préstimos a amigos.
A diária cobrada pelo serviço varia de R$ 300 a R$ 1.300 dependendo do
detetive e tipo de serviço. A Central Única Federal dos Detetives do Brasil
(CUFDB), sediada no Guará II, é a maior agência de investigação da América
Latina, segundo seus proprietários. Inaugurada há nove anos, é coordenada
pelos detetives Edilmar Lima e Juliana Belém. Além de contar com a equipe de
investigadores, a agência oferece um curso para pessoas que desejam tornar-se
detetive particular.
Os coordenadores da CUFDB idealizaram o curso baseando-se no dia-a-dia vivido
no escritório de investigação. O aluno freqüenta as aulas durante três meses e
paga R$ 540. Segundo Juliana Belém, existem cursos por correspondência, onde o
aluno manda apenas o nome e endereço. "Eles recebem uma apostila de dez
páginas, pagam uma taxa de R$ 39 a R$ 100 e recebem uma carteirinha sem valor,
e pronto, está formado mais um profissional despreparado", diz".
A agência forma, entre 15 a 20 detetives por mês. "Muitos deles já são famosos
e estão trabalhando no mercado de Brasília", explica Juliana Belém. O número
desses profissionais tem crescido no Brasil. Em 1999, existiam 34 mil
arapongas. Hoje, conformem estimativas da CUFDB, cerca de 60 mil detetives
estão na ativa. No Distrito Federal, Cerca de 30 escritórios de investigação
estão distribuídos pelo Plano Piloto e cidades satélites.
Apesar do crescimento e da aprimoração dos profissionais, Edilmar Lima
ressalta que o cliente precisa ter cuidado na hora de contratar um detetive.
"O mais importante é pedir referências para o detetive. Já soube de falsos
profissionais que fugiram com o dinheiro dos clientes", relata.
Ao longo de 15 anos à frente de investigações, Edilmar Lima conta ter
trabalhado em casos surpreendentes. Um exemplo ocorreu recentemente, quando
sua equipe investigava um crime de pedofilia. De acordo com ele, os
investigadores descobriram algo terrível: o próprio pai colocava imagens da
filha na Internet. "É lógico que nunca haverá investigações fáceis como se vê
nos cinemas. Na realidade, a coisa é bem diferente, sempre existe algo que nos
surpreende", ensina o detetive.
Fonte: Jornal de Brasília